TUAS CADEIAS
Cleide Canton
 
 
Que fazes aí
enlameado no escuro beco
das tuas amarguras,
despedaçando a alma
no emaranhado dos teus equívocos,
com olhar perdido
nas imagens que a tua razão
grita para que esqueças
e nessa cela não apodreças?
Que fazes aí,
inerte aos apelos do teu próprio eu
a clamar pelo calor do sol,
pelo canto dos anjos,
pela dança das nuvens
que encanta a visão
daqueles que aceitam a vida
como nos é oferecida?
Que fazes aí
ensimesmado, atormentado
porque alguns sonhos não se realizam,
porque não tem nas mão
objetos dos teus desejos
e no coração o afeto
de alguém que julgas especial?
Acorda, criança!
Ou simplesmente acorda
a criança que em ti
um dia viveu
e que nos teus negrumes
se escondeu.
Retira, com urgência,
dos teus olhos
a venda da inclemência.
Não há dia que amanheça
sem uma promessa
e não há noite que se despeça
sem que algo novo tenha acontecido.
Não te ponhas adormecido!
E não te esqueças:
nada é mais forte
que a tua vontade
e não queiras conhecer
qualquer olhar de piedade.
Poupa-te de atrair a má sorte!
Sorri para a vida!
Espanta a morte!
 
SP, 03/01/2006
22:20 horas
 
 
 
  
Formatação Simone Czeresnia
 

 

 

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Página editada por Cleide Canton em 04/01/2006

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