TOMO VI
Cleide Canton



Não te encontro
nos meus brancos relances de paz
nem em momentos plenos
que a saudade refaz.
A figura esmaecida
é um borrão nos meus achados,
onde os rabiscos
fundiram-se à fumaça do passado
e as telas coloridas
ofuscam quaisquer outras
que não falem de flores
ou se desgastaram
na paleta onde misturei
os meus amores.

Não te encontro sequer
nas estribilhos decorados
ou nos finais encantados
dos contos que canto,
muito menos
nas minhas histórias felizes
ou debaixo das manchas
das minhas cicatrizes.

Não te encontro nos caminhos
onde minhas flores
ainda desabrocham,
nem nas águas das fontes
que abastecem
o rio por onde ainda flutuam
meus barquinhos de papel.

Estranho eu não ter percebido
em que momento
tu bateste a minha porta,
bebeste da minha água
e comeste do meu pão.
Não tem registro!

Acabo de timbrar
mais um tomo desta coleção
com a força e a cor do meu brasão.
A cada desfecho,
brindo o tempo
que me permite dar
um passo a mais
na busca de um novo começo
em outro endereço,
onde a vontade
ainda me fala em talvez,
e eu possa entender
este mar de insensatez...

SP,04/05/2007
17:00 horas

 

 

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Página editada por Cleide Canton em 26 de agosto de 2013

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