SOU QUEM FUI
Cleide Canton

Sou o lustro do que foi trabalhado,
a resposta ao que foi perguntado,
a divisa entre o sim e o não,
o sorriso de um tardio perdão.

Sou a fresta do teto
em dia de chuva,
todo o alfabeto
na mão de luva.

Sou o vento que veste um canto,
a fé que não endeusa um santo,
a lágrima de um olhar risonho,
o desejo que não cobra o sonho.

Sou ave enjaulada
em ninho de papel,
a letra marcada
no aro de um anel.

Sou a festa e a fuga do belo,
a sombra que ofusca o castelo,
a água que tarda a jorrar
da fonte que custa a cantar.

Sou peça, sou fundo,
sou tinta sem cor,
sou tal moribundo
num mundo de amor.
 
SP,22/01/2007
19:00horas
 
  FORMATAÇÃO DE CLEIDE CANTON
 
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Página editada por Cleide Canton em 22 de fevereiro de 2007

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