SEM RESPOSTAS
Cleide Canton
 
 
Visto de luto a saudade
do beijo que já foi meu.
Amarro a dor da vontade
de pousar no abraço teu.
E fazes ouvidos moucos
aos meus ternos brados roucos
pelo amor que não morreu.
 
Cubro as marcas do fracasso,
disfarçadas cicatrizes,
e o teu coração de aço
nem percebe meus deslizes.
És como a água parada
que faz pouco, quase nada,
jamais voltando às raízes.
 
E continuo, teimosa,
buscando fazer contato,
querendo um pingo de prosa,
talvez rever nosso trato.
Aos porquês tu não respondes
eu me mostro e tu te escondes
num constante desacato.
 
Então, pela cidade vago,
sem destino a procurar
o rosto que não apago
do meu eterno sonhar.
Não me rendo, vou a luta,
sabendo que essa disputa
só vai me fazer chorar.
 
SP, 10/09/2006
23:50 horas

 

 
 FORMATAÇÃO DE SIMONE CZERESNIA
 
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Página editada por Cleide Canton em 13/11/2006

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