SEMPRE TE ENCONTRO
Cleide Canton
 
 
Enquanto clamas pelo que te dou e posso,
inflamando teus cantares felizes,
retenho a dor das tuas cicatrizes
e te faço viajante em mim,
espaço que sou
entre a noite e o romper da aurora.
Logo mais irei embora.
 
Enquanto teus olhos fecham
e os sonhos te acalentam,
oferto-te os últimos suspiros do luar,
a luz primeira que a terra vem beijar.
Paz, enfim...
 
No meu seio escondem-se pirilampos,
flores que sorriem nos teus campos,
águas tranqüilas do teu ribeirinho,
 o chilrear do primeiro passarinho
a pousar no teu jardim.
 
Ouço, no silêncio, teus ais clamantes
e teus anseios mais gritantes
a perambular nos ecos da tua boemia.
Embalo tua mais secreta fantasia
em odores de jasmim.
 
Tempo de chegar e tempo de partir.
Meu "ultimatum" deixo em teu dormir.
Espera-me. O amanhã não demora.
Teu momento foi ontem, o meu é agora.
Sorria!
 
Envolta em mistérios que não alcanças
levo comigo as tuas esperanças.
Aceno-te, feliz. Missão cumprida!
É meu o prazer... A noite está falida.
Beijo o dia.
 
 
 

 

 

 

 

 

 

 

Página editada por Cleide Canton em 07/05/2005

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