Quero ir a fundo
Cleide Canton


Desta vez
quero ir a fundo.
Deixar-me levar
por teu coração vagabundo
por " águas nunca dantes navegadas".
Preciso desta nau
rumo ao incerto.
Preciso do peito aberto
onde me agasalha o teu carinho
e mãos tão seguras quanto as minhas.
Preciso de novos passos
na minha dança de amor.
Preciso muito mais do que sonho,
do que tenho sido e visto,
do novo, do imprevisto,
do acaso, da insolvência.
Preciso de um véu rosado
na minha transparência.
Preciso de uma noite sem estrelas,
com chuvas, trovões,
revoluções.
Preciso que pássaros se calem
para que minha voz eu consiga ouvir
e que a lua entre nuvens se esconda
e minha cor possa luzir.
Preciso de sons dissonantes,
fugir do mesmismo das minhas canções,
do quadradismo das minhas visões,
da tolice das minhas próprias imposições.
Preciso da chuva, do vento forte,
do mato, do barro,
do cheiro de terra,
do gosto de amora,
da fonte que chora...
Preciso encontrar o meu agora.

SP, 28/10/2004
22:10 horas

 

 

 

          

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Página editada em 15/11/2004

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