QUE FOI QUE EU FIZ
Cleide Canton
 
 
O passado se faz presente
e, por instantes,
vejo teus olhos nos meus.
Doce momento
que não se perdeu
esquecido como outros tantos.
Disseste que teu amor era meu,
recordas-te?
Que foi que eu fiz 
 menos que idolatrar-te
como se fosses um deus .
Que foi que eu fiz
menos que entregar-te
o que de melhor havia em mim.
Que foi que eu fiz
menos que esperar
por um sonho vazio
encurralado nas jaulas da tua intolerância.
Que foi que eu fiz
senão vagar por túneis da imaginação
onde dois corações calejados pelo sofrimento
pareciam fundir-se no desejo
de apenas o encontro.
 
Ainda esperei
pelo que prometeste
e não cumpriste.
Grande mérito de um amor unilateral
onde condições de reciprocidade inexistiram.
De que posso ufanar-me?
Fui apenas alguém a mais,
 crédula demais
inconformada com um adeus injustificado,
desrespeitando-me no ilogismo
das tuas respostas vagas,
consumindo-me na tentativa
de um amanhã que não existiria.
O relógio na parede
devolve-me o hoje.
Está mais do que na hora
de eu deixar
de pensar em ti.
Mas gostaria de saber:
O que foi que eu fiz?
 
SP,22/10/2004
22:120 horas

 

 

 

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Página editada por Cleide Canton em 11/05/2005

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