QUANDO A NOITE DESCE
Cleide Canton

          
Despontam as estrelas primeiras
no manto escuro da noite altiva
a nos brindar com o espetáculo único
de um monólogo em voz imperativa.

Respondem as luzes cá da terra
num aceno aquiescente,
aplaudindo com alegria
o esplendor do presente.

Cometas deixam seus rastros
como se enlaçassem um pacote
enquanto a lua se levanta
num magistral cumprimento.

Um delicioso instante de amor
onde a gratidão não se faz grito
mas se deixa mostrar
no piscar dos olhares
que reverenciam um mito.

Uma ternura sem par domina-me
e, nesse momento,
meus braços se transformam em raios curvos
e se estendem além do que se possa imaginar,
um pouco mais do que a visão pode alcançar.

Abraço-te, infinito,
até onde meu peito
consiga aconchegá-lo.
Entra em cena este amor que sinto
despido de tudo o que não seja beleza,
a bailar sem limites,
rodopiando entre os astros,
irradiando as luzes de suas vestes puras,
pleno e total.

E nesta fusão com o Universo
onde, compulsoriamente,
meus pés não encontram chão,
eu te ofereço o meu beijo,
aquele que não necessita do teu contato,
que não se envergonha da tua recusa,
que não responde ao teu desejo
pois se basta no doar.
E, num sussurro discreto
que jamais será ouvido,
meus lábios tremulam ao dizer:
Boa Noite, amor!


SP, 21/04/2005
14:06 horas

 

 
 FORMATAÇÃO SIMONE CZERESNIA
 
 
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Página editada por Cleide Canton em 15 de junho de 2007.

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