Quando a fera é ferida
Cleide Canton
 
 
Lutou, deveras,
com todas as garras,
pelo pedaço do seu céu...
Pisou firme o chão desconhecido
com o olhar de loba que pressente
o perigo iminente.
Delimitou o espaço com seu cheiro
na mata virgem onde não chegou primeiro.
Machucou-se tantas vezes no intrínseco caminho
e na busca incessante
 do outro eu sozinho
que esqueceu-se de suas defesas.
Desgastadas ficaram as suas presas.
Cegaram-lhe a visão felina
e a audição se escondeu na surdina.
Calaram-lhe o rugido suplicante,
o apelo premente...
E da misericórdia de um coração presente
um tiro certeiro rasgou-lhe o peito.
 
Fera ferida
não resistiu.
Foi-se-lhe a vida...
Ela nem sentiu!
 
 
       
 
 
 

 

 

Pagina editada em 28/02/2005

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