ONTEM ETERNAMENTE
Cleide Canton
 


Ontem, na lenta eternidade que socorre
a fragilidade do meu hoje claudicante,
dancei contigo meus sonhos azuis,
e pintei nuvens com meu sorriso de festa.
 

 
Ontem, na ânsia de dar-me e ter-te,
desafiei as barreiras do impossível
nos compassos vibrantes de melodias de fé,
com sorrisos que espargiam perfumes de alegria.
 


Ontem, atada a ditames divinos,
imune aos conceitos de visões turvas,
livre dos vícios impostos pela adversidade,
voei sobre a nudez das águas puras do teu canto.
 


Ontem, sem quaisquer defesas,
dominando a força de tempestades e ressacas,
abraçada à beleza de estar entre os mortais,
desenhei minha sorte no jogo da vida.
 


Ontem, percebendo a impossibilidade
de caminhar entre flores sem compartilhar,
encontrei tuas mãos seguras, estendidas
para uma aliança imaculada: terra e sol...
 


Ontem, por caprichos de vontades próprias,
deixei-me inundar pelo calor que ofertavas
e te deixaste inebriar pela pureza dos sentimentos
que a ti somente, ofereci sem reservas.
 


Hoje, nosso sonho de amor desfraldado
no mais alto mastro da nau que nos abrigou,
tremula confiante, desafiando a prepotência do tempo.
Sempre hoje, nas incertezas do amanhã.

Ontem, eternamente hoje...
 


SP, 17/06/2008
10:00 horas
 

 

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Página editada por Cleide Canton em 28 de abril de 2012

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