ONDE O SONHO ME DEITA
Cleide Canton
 
 
Pelos rumos do meu horizonte
enfrento as telas das minhas verdades.
 
Detenho-me, olhar atento,
nas causas de qualquer lamento,
nos frutos inconseqüentes da insensatez,
nas falhas das justificativas e dos porquês.
O olhar que vezes parece perdido
é rápido e destemido
no desvendar das causas e conseqüências,
dos excessos, das carências.
 
Não se perdem em mim
os objetivos e o contexto.
 
Em terra firme, bases confiantes,
meu corpo descansa dos ventos causticantes.
Esquece a verdade dos fatos
e ignora as tramas dos relatos.
Desprende-se minha alma sonhadora
ao chamado da brisa interlocutora.
 
 Vagueia livre e triunfante
pelas trilhas que lhe permite o infinito.
 
E onde as estrelas dançam encantadas
e as juras se perpetuam nas alvoradas,
meu olhar encontra o teu olhar
 e, sem que seja preciso falar,
quedo-me feliz ao teu lado
numa entrega doce e sem pecado.
 
E me perguntam a razão
da luz que brilha ao meu redor.
 
Respondo na mais ousada euforia
que parte de mim repousou na cama fria
e a outra se desfez em carinho
no calor do mesmo ninho
onde o sonho me deitou, um dia.
 
26/04/2006
19:00 horas
 
 
FORMATAÇÃO SIMONE CZERESNIA

 

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Página editada por Cleide Canton em 05 de maio de 2006

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