O ETERNO JEITINHO BRASILEIRO
Cleide Canton
 
 
 
     Este meu povo já está habituado a arranjar um jeitinho brasileiro para tudo. É marca cultural. Certo que algumas vezes até se pode aplaudir a criatividade, a esperteza, o sorriso maroto de quem consegue, através do tal "jeitinho", o olé da vitória. No entanto, na maioria das vezes, arrumar-se uma saída para uma situação implica em fecharmos os olhos para o direito alheio, para a justiça, para os bons costumes. A parte "jeitosa" escapa de uma situação e cria constrangimento para a outra. Na maioria das vezes, lesa alguém.
   
      Imagino que isso suceda face à nossa despreocupação com valores, a indefinição do certo ou errado, a ausência de punibilidade para os faltosos. Vou além: isso se deve às brechas que a lei, morosa e ineficiente, vai deixando para prover ou consertar apenas quando um ato danoso se torna habitual. Aí, os senhores da justiça discutem, discutem (e notem que sempre há sardinhas para serem puxadas para o lado de algum), reformulam para atender as necessidades de momento, sem qualquer preocupação com a prevenção para com o "jeitinho" que se poderá dar no futuro. E tudo continuará a ser como dantes.
   
    Imagino o surgimento de uma cabeça pensante realmente envolvida com o social, não esse social que hoje vemos, insensato, criminoso, manipulador. O nosso social de hoje é baseado no princípio já consagrado do "dez para mim, um para você". Que raio de social é esse? Sabemos perfeitamente e a experiência nos ensina que tirando de quem tem um pouco mais para simplesmente dar a quem tem menos não funciona. É a tal história de tapar um buraquinho aqui, outro acolá. Resolver mesmo as causas, quem se atreve?
     
        É o que acontece com os nossos negros e descendentes. Para consertar o racismo que ainda existe, oferecem-lhes "cotas". Será que ninguém percebe a presença do racismo nesses atos?
      
        Que cotas? Para que cotas? 
     Seria um pedido de desculpas por tantos anos de ineficiência? O que esses nossos irmãos necessitam não é serem vistos como de "outra raça", não é obter privilégios por conta da raça, não é tentar corrigir os erros com outros erros. O que eles necessitam é de oportunidades de viver condignamente, de provar sua capacidade através da luta em igualdade de condições.
 
"Todos são iguais perante a Lei, sem distinção de qualquer
natureza,  garantindo-se  aos brasileiros e aos estrangeiros
residentes no país, a inviolabilidade do direito à vida, à li-
berdade, à igualdade, à segurança e à propriedade".
(Título II, Cap I, Artigo 5º da Constituição da República
Federativa do Brasil)
 
      Mas o nosso "jeitinho brasileiro" remenda sempre uma situação injusta com outra injustiça, furtando-se ao dever que lhe cabe de facultar ao povo o "viver com dignidade". Ao invés de proporcionar trabalho a todos em igualdade de condições para que cada qual receba de acordo com o que produz, concede-lhe ajuda financeira (dinheiro que realmente tem valor advém do trabalho) que serve apenas para parecer ao mundo que o Brasil está aumentando a sua renda "per capita". Essa é a visão de verdadeiros estadistas?
    
      E o que fazemos nós, além de ficarmos perplexos com essa situação toda?
    
      Gritem, cobrem, reclamem, mas não se calem jamais. Este não é o nosso direito. É O NOSSO DEVER. Afinal, o povo somos nós.
 

SP, 13/01/2010
Esperando mais uma torrente de chuvas...
Deus nos guarde!

 

FORMATAÇÃO SIMONE CZERESNIA

 

 

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Página editada por Cleide Canton em 09 de março de 2010

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