NOVAMENTE ME CALO
Cleide Canton


Esqueci a porta aberta
e entraste, novamente,
muito mansamente...
Ao teu abraço
não ofereci resistência 
e aos teus carinhos
pedi clemência.
Vejo no teu olhar
que queres ficar.
O que adianta?
Pergunta o soluço
travado na garganta.
Mais uma vez?
Findou-se o tempo
das nossas tentativas.
Olho-te! Estudo-te!
E as decisões importantes
ficam postergadas.
Novamente adiadas.
Olho-te! Devoro-te!
Tento absorver
aquele teu eu escondido.
Nada faz sentido.
Na indecisão 
do meu passo além
te encolhes no teu desdém.
Encontras a porta aberta
também para sair
e me perguntas se quero ir.
Novamente me calo.
Sou mesmo assim.
Preciso alguém
que lute por mim.

SP, 02/11/2004
21:00 horas

 

 

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