NO SONO DO SOL
Cleide Canton

 

Quando o dia exala
seu último suspiro
e as primeiras estrelas
ameaçam apontar nos céus,
o sol lança seu último olhar
à terra ainda quente,
mansa e fertilizada,
deixando em sua despedida
o perfume dos seus feitos.
Meus olhos o vêem
despido de majestade,
quase a esboçar um sorriso
pelo dever cumprido.
Enquanto ele se apaga,
acende-se a luz da lembrança,
companheira inseparável
das noites e madrugadas,
dos sonhos encantados
que não se perderão
face ao brilho das estrelas
e o carinho azul do luar.
Hora de divagar!
Ir além do que pode a realidade.
Hora sobeja do amor e da verdade.
Momentos onde as glórias
lustram a opacidade do tempo,
os desgastes voltam a rondar
as cicatrizes quase imperceptíveis
dos desgostos e das derrotas
e a visão do rosto amado
surge nas brechas dos descuidos,
ofuscando tudo o mais
que não se enquadre
no momento maior de felicidade.
Hora obrigatória
da eterna saudade!

SP, 30/06/2006
20:40 horas
 

 

FORMATAÇÃO DE SIMONE CZERESNIA

 

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Página editada por Cleide Canton em 14 de julho de 2006 

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