NEGO-TE
Cleide Canton

Nego-te
a visão dos meus percalços
e, por conhecer a extensão dos meus espaços,
nego-te também os sorrisos das minhas alegrias
que foram por tua causa, em longínquos dias.

Nego-te
as tristezas escondidas
por ver-te ébrio, idéias perdidas,
ocasos incertos, passos titubeantes,
valores insignificantes.

Nego-te
a visão dos meus jardins em flor,
do meu coração domado pelo amor,
das minhas janelas abertas para a vida
e do desdenhar de uma ilusão perdida.

Nego-te
a sensação do paraíso que me ofusca
no encontro da minha mais ousada busca,
o tamanho da esperança que renasceu ditosa
num tranqüilo amanhecer cor-de-rosa.

Nego-te
o meu eu a rodopiar em solos seguros,
para ti escondidos pelos altos muros
que me deixam a salvo das tuas garras,
solto e livre para um amor sem amarras.

Nego-te
a esmola do meu olhar que não se rende,
o carinho de minha mão que não mais se estende.
Nesta recusa deixo-te cabisbaixo e triste
pois hoje soubeste que o amor por ti inexiste.

SP, 18/03/2005
22:30 horas

 

 

 

 

 

 

 

 

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Página editada por Cleide Canton em 11/05/2005

Fundo gentilmente cedido por Glória Guedes

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