MEMÓRIAS
Cleide Canton
 
 
Digo de nossos momentos,
cada qual no seu tempo...
 
Digo de tantos sonhos
cultivados nos extremos de nossas ânsias,
de cada sorriso aberto,
de cada conquista inesperada,
embora sempre desejada...
 
Digo de cada passo lado a lado,
de cada lágrima escondida
ou largamente derramada,
do encontro não premeditado
com a verdade exposta
nas curvas dos atalhos,
com as dúvidas,
com as primeiras descrenças...
 
Digo da vontade de não existir,
de não ser, de não estar nem viver,
das doenças do pensamento,
da covardia das ações e omissões,
do cansaço,
do fracasso...
 
Digo da garra,
da força que brotou
no lodo das mentiras
no formato de um botão
que se mostrou ao mundo
como a flor da esperança,
e do sorriso disfarçado
pela vitória dos primeiros passos
após a queda...
 
Digo do amor
que invadiu, determinado,
cada ato pensado ou impensado,
cada fala no corolário das descobertas,
cada passo em direção ao objetivo,
cada compasso da nova melodia
cujos acordes ainda ecoam
neste tempo de paz...
 
Então te declaro
um vulto vago na memória.
Tu  te perdeste
onde a luz se fez presente
na minha história.
No entanto,
continuo grata a  ti, pois,
 se não tivesses cruzado o meu caminho,
talvez hoje
eu não brindasse a minha vitória.
 
 
SP,02/04/2007
10:30 horas
 
 
 

 

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Página editada por Cleide Canton em 26 de agosto de 2013

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