INFINITUDE DAS IDÉIAS
Cleide Canton

 

          O pensar é dádiva divina. O colocar do pensamento para compartilhar com os demais é uma conquista humana. Ambos merecem o respeito. Nada impede que nossos pensares sejam os mesmos de outros tantos,nada impede que tenhamos a mesma visão de um fato, a mesma sensação face a um sentimento, a mesma lágrima no desabar de um sonho,o mesmo sorriso ao receber uma flor, a mesma voracidade na luta por um ideal.

          No entanto, existe um "eu" todo especial nas palavras que desfilam vestidas de harmonia, descrevendo sonhos e fantasias, anseios e verdades. As palavras estão aí, dispostas em ordem alfabética, para serem usadas. A maneira como nós as usamos adquire características próprias, extremamente pessoais. Não é o estilo que define o escritor mas aquele algo mais de diferente, aquela maneira como ele dispõe a sua idéia, aquele jogo de significâncias para expor significados, aquela conotação que só a sua visão consegue adequar. Portanto, o jogo de letrinhas não nasce, simplesmente, porque as palavras existem, mas porque alguém se coloca através delas.

 

        Essa colocação é única e insubstituível e merece todo o respeito. Apropriar-se das colocações de outro é como roubar-lhe a alma, a essência materializada na sua obra, seja ela uma simples frase, um texto, uma quase poema ou uma poesia pura.

        O que levaria alguém a fazer isso? Talvez a incapacidade de mostrar-se, o medo de ser verdadeiro e não agradar, a vontade desmedida de galgar os degraus mais depressa ou, quem sabe, usar aquele "jeitinho brasileiro" da lei do mínimo esforço.

       Uma falha de caráter? Uma doença? De qualquer sorte, o ato é criminoso e merece sanção. Teria perdão? Acredito que sim, desde que houvesse um reconhecimento público, um pedido claro de desculpas, uma demonstração franca dos seus porquês e, quem sabe ainda, um pedido de ajuda.

     Acima de tudo, um esforço sobrenatural para conquistar novamente a confiança de seus pares. Uma missão quase impossível! Mas valeria a pena para devolver ao seu nome a honra  pela qual deveria ter lutado sempre.

 
 
SP, 04/05/2005
10:00 horas
 
(na luta pela verdade,
pela dignidade e pelos Direitos Autorais)
 

 
 

 

 

Página editada por Cleide Canton em 15/11/2006

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