Incerto e não sabido
Cleide Canton
 
Chora tua alma sentida
talvez até arrependida
por tantos atos impensados,
carinhos recusados.
 
Ouvir-te nem seria preciso
e tua dor sequer amenizo.
Prestes estou da indiferença
do que era belo na tua presença.
 
Imperfeitos são os tempos verbais
passados, conjugados nos teus ais.
Se querias e não foste à busca
o teu clamor hoje não me ofusca.
 
Eu também queria e ignoraste.
Eu sofri, tu sequer choraste!
Eu bebi da nossa taça o fel
enquanto te banhavas em mel.
 
Se me procuras  e não me vês
certo é que me encolhi nos porquês.
Onde estou, local incerto e não sabido,
será jamais por ti conhecido.
 
Lamentes sim, já era esperado
e não me culpes por teu passo errado.
Confiaste na sorte, eu nos meus conceitos.
Não sonhes! Não te dou direitos!
 
SP, 28/10/2005
16:00 horas
 
 
FORMATAÇÃO DE SIMONE CZERESNIA
 

 

 

Página editada por Cleide Canton em 26 de março de 2006

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