FOI A FUMAÇA
Cleide Canton
 
 
Foi a fumaça que marejou meu olhar
quando a chama deste amor apagou
 e lágrimas sofridas vieram a rolar
na história que o nosso tempo contou.
 
Foi a fumaça da pérfida despedida
que maculou minha voz em pranto
no momento em que eu fui vencida
pelo apático gosto do desencanto.
 
Foi a fumaça, foi apenas a fumaça
que embaçou, de pronto e sem piedade,
os vidros claros da minha vidraça
e a frescura da minha mocidade.
 
Mas como tudo muda, tudo passa,
também o desalento foi-se embora.
Nem mais vestígios dessa tal fumaça
e do lindo sonho de amor de outrora.
 
Outra chama crepitou de repente,
um novo brilho, uma nova emoção.
Uma carícia por demais envolvente
embaçou o amor em reconstrução
 
E tijolo a tijolo, cimento a cimento,
durante muito tempo, de sol a lua,
ergueu-se a mansão, toda ornamento,
a mais imponente desta nossa rua.
 
Soprem ventos, clamem vendavais,
com toda a fúria... Nada mais assusta!
Terremotos, tufões e seus iguais
jamais apagarão esta chama augusta.
 
Foi a fumaça...
Bendita fumaça!
 
SP,14/06/2006
20:20 horas
 
  FORMATAÇÃO DE SIMONE CZERESNIA
 
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Página editada por Cleide Canton em 08/09/2006

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