FANTASIA
Cleide Canton
 
 
 
Se te fazes senhor do meu apreço,
se ofertas sem penhor teu ombro amigo,
mansamente há de entrar o que mereço
pela porta, nesta noite que bendigo.
 
Bem o sei que sonhar tem o seu preço,
que viver por viver já não consigo.
Mas se ousas auscultar o meu avesso
verás o bem maior qu'inda persigo.
 
Se a chama do desejo acende ainda,
se é bela a minha sempre fantasia,
a febre que me toma é bem-vinda.
Pecado bem maior é a covardia!
 
A trama do passado se fez finda,
nas noites que teceram harmonia.
E a taça do prazer reluz e brinda 
ao toque desta nossa sintonia.
 
Sem luz todas as cores são profanas,
perdidas em falácias dormideiras.
À luz acordam vozes suburbanas
tranquilas, livres, soltas, verdadeiras.
 
Razões já não nos faltam. Soberanas,
desfilam sem pudor, erguem bandeiras,
enquanto as ovações já doidivanas
se perdem como nuvens passageiras.
 
 
SP, 22/09/2009
21:00 horas
 

 

FORMATAÇÃO SIMONE CZERESNIA

 

 

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Página editada por Cleide Canton em 01 de fevereiro de 2010

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