FALTA ALGO
Cleide Canton


Falta algo
entre o o chão
em que firmemente piso
e os sonhos
que entre estrelas visualizo.
Algo entre a sensatez e vaidade,
no arbítrio da casualidade,
no efêmero da imortalidade,

Falta o ritmo acertado
em cada compasso,
o aperto ponderado
em cada abraço,
um vago limite no ilimitado,
um contorno no inacabado.

Falta-me a destreza do traço,
o arremate em cada pedaço,
no avesso
deste trabalho imenso
de agir
na conformidade do que penso.

Falta um lustro mais ousado
neste brilhante que me foi doado,
talvez um encaixe
que não ficou perfeito
na base rústica, num vão estreito,
ou a solda de uma rachadura,
mágoa que no tempo perdura.

Na busca
do equilíbrio do qual sou crente
entrego minha alma livremente.
Há que haver o peso correto
na fala, na escrita, no ato, no gesto,
no caminho certo ou incerto
por vales férteis ou denso deserto.

Falta algo
para aquele que busca
sempre mais
neste planeta insigne
entre os demais,
onde o desencontro ofusca o rumo
e as paredes tombam
fora do prumo.
Falta o amor verdadeiro...
Aquele que dou
e não recebi por inteiro.


SP, 10/07/2006
17:00 horas

 

FORMATAÇÃO SIMONE CZERESNIA

 
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Página editada por Cleide Canton em10 de setembro de 2013

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