FALE COMIGO
Cleide Canton
 
 
 
Que fale comigo
a dor da ausência,
mas que fale baixinho,
para que eu ainda possa ouvir
o som da tua alegria
e, quem sabe sentir,
 na dança dos ventos,
a doçura do teu carinho
e, no sol da manhã,
o teu beijo de bom dia.
 
Que fale comigo
o senhor do tempo,
pontual e infalível,
para que minha crença
não se perca
nas espirais fúmeas
de nuvens corredeiras,
e a vontade de ser
não tropece nos aclives
da minha própria intolerância.
 
Que fale comigo
(nos intervalos da minha loucura)
 a flauta mágica e triste
de um estranho gnomo
que acompanhe o carrunchiar
de pássaros que desconheço,
nesta tarde sem significâncias,
para que as flores se fechem
a minha passagem,
 a chuva se lembre
de rolar com minhas lágrimas,
e o sal da amargura
não se propague
nem contamine
as doces águas destas fontes
que não mais saciam minha sede.
 
Que fale comigo
a noite sem brilho,
para que eu ainda enxergue,
no breu,
a sombra do teu sorriso...
 
SP, 23/08/2007
16:30 horas
 

 

   FORMATAÇÃO DE SIMONE CZERESNIA
 
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Página editada por Cleide Canton em 13 de julho de 2008

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