E NÃO ME VÊS COMO SOU
  
Cleide Canton
      
      
   Buscaste, quiçá,
   um corpo parecido com o teu
   onde os contornos tivessem encaixes perfeitos.
   Buscaste as semelhanças
   no tipo, na raça, no credo,
   no vôo, no canto, no medo...
   Buscaste a forma
   porque apenas isso te importava.
      
   Esqueceste, todavia,
   de sondar o meu interior.
   Não viste a frente que me comanda,
   construída através dos erros e acertos,
   erigida no tempo que me foi permitido,
   com meu próprio suor,
   esbarrando nas minhas fraquezas,
   encolhendo nas fendas das dificuldades,
    dançando nos jardins das minhas vitórias...
      
   E curvo-me perante os muros derrubados
   sem ódio ou rancor,
   segura de que foram erguidos
   para testar a minha tolerância,
   a minha vontade
   e a força das minhas querenças.
      
   Eis-me diante de ti,
   tentando retirar as vendas
   que te impedem de ver-me como sou,
   muito menor do que o mito que criaste,
   muito diferente do teu protótipo...
      
   Eis-me aqui,
   tão perto que podes tocar-me,
   tão viva que podes sentir-me.
   E teimas em ver-me de costas...
 
     
  
    SP, 20/11/2009
      15:40 horas


 

FORMATAÇÃO SIMONE CZERESNIA

 

 

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Página editada por Cleide Canton em 01 de fevereiro de 2010

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