ECOS DA MADRUGADA
Cleide Canton
 
 
Chama-me, poeta,
 nos embalos das tuas madrugadas
quando os fios prateados da chuva
convertem-se em poças iluminadas,
salpicando as solitárias ruas
dos teus desencantos,
encontrando, como companheiras,
as lágrimas sentidas dos teus  prantos.
 
Sou o eco dos teus amores
a exalar os mais secretos olores
que despejas em mim, ardentes,
no bailado das palavras eloqüentes
a significar muito mais do que escondes.
Deixam rastros do que não respondes...
 
Deságua, poeta,
nas linhas que eu não te limito,
dos sonhos de amor, o mito,
das lágrimas de dor, o grito.
Grava em minhas estrofes a história
que um dia, talvez, se perca
na tua memória...
 
Não me cales
na infinitude de sonhos e devaneios.
Que jorrem límpidas as águas
das vertentes por seus veios.
 
Tu me emprestas
o brilho das estrelas cadentes
e me fazes luzir
nas rimas de amores ausentes.
 
Não te canses, poeta,
dos clamores a embalar os sonhos ousados
que flutuam nas naus dos apaixonados,
ávidos de encantamentos
para o gozo pleno dos seus momentos.
 
Eu te imito.
Tu és a verdade. Eu, teu mito.
Quando te fores
não me levarás contigo.
Permanecerei, eternamente solitária,
confundida com outras semelhantes
na poeira de velhas estantes,
nos sebos de uma cidade qualquer
ou no coração de uma mulher.
 
Surgirão, quem sabe, oásis no deserto,
frutos dos louvores que, por ti, desperto.
Darão certamente o devido valor
a mim, fruto do teu amor,
por quem saberão de ti, o ausente,
vagando nas madrugadas, eternamente.
 
 
SP,24/12/2004
0:20 minutos

 

 

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Página editada por Cleide Canton em 08 de outubro de 2008

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