DEIXA-ME AGORA
  Cleide Canton
 
Deixa-me agora!
Já se faz hora
de, num manso leito, o rio seguir
sem mais uma queda a parir
lágrimas no meu rosto,
mágoa e desgosto.
 
Deixa-me tua lembrança
escondida na esperança,
enterrada sobre os escombros
do castelo de assombros
que não mais habito.
Deixa-me a saudade
abafada na vontade,
morta do meu grito.
 
Deixa-me apenas
caminhar entre açucenas
buscando a cor
que não achei no amor.
Deixa-me neste vazio
sentindo o vento e o frio
açoitando o coração magoado.
Deixa-me, te peço,
para que eu viva este recesso
no meu cavalgar cansado.
 
Deixa-me, e pode ser
que eu ainda consiga ver
as estrelas no firmamento,
o caminho do meu porto,
a fresta no meu sonho morto,
o fim deste vão lamento.
 
SP, 07/02/05
13:15 horas
 
 
 
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Página editada em 18/03/2005

 

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