DAMA DE AZUL
Cleide Canton
 
Era-lhe a cor acertada
nas longas noites de lua.
Mesmo sendo aprisionada,
via-se livre, solta, nua.
 
Nada cheirava a maldade
nos rumos da sua trilha.
Não conhecia saudade
e da pureza era filha.
 
Na dança, sempre descalça,
no canto, sem partitura.
No fandango ou numa valsa
era leveza e candura.
 
No amanhecer, um sorriso.
Nas tardes, sonho discreto.
Dia todo, um paraíso
em horizonte seleto.
 
Passa a vida num instante.
Num relance o azul descora.
E o traje da viajante
vê-se tingido de amora.
 
Corre-lhe, na veia, o pranto,
na artéria, um brado silente.
No riso, não mais encanto.
Da vida, morte aparente...
 
Ouve-se o vento tristonho
levando a lugar algum,
toda a beleza do sonho
que foi um... Apenas um!
 
 
SP, 20/11/2005
14:50 horas
 
 
 
 
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Página editada por Cleide Canton em 08 de outubro de 2008

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