CRIATURA
Cleide Canton
 
 
Não sou o que me fazes parecer
e nada me acrescenta aquilo que dizes de mim
em versos desobrigados de verdades,
 fruto dos caprichos da vaidade,
restos de um romantismo equivocado
onde teimas  parecer um menestrel
nas respostas evasivas
as minhas relutantes questões existenciais.
Não teça apelos ao meu ego orgulhoso
porque ele se atém
apenas aos alicerces
que me sustentam sem riscos.
Todos os acréscimos,
 os detalhes e os arremates
que justificam meus objetivos,
a beleza que move a minha busca constante,
são traçados na minha explicação de motivos
e, a ela têm acesso, apenas aqueles
que conseguem enxergar
sem os véus das justificativas vãs,
sem a racionalização da tolerância...
Simplesmente necessitam da vontade,
sem pretensão outra que não  
"conhecer para amar".
Sou um deleite
a transformar os dias acinzentados
em resultados de expressões
que procuram algo de belo,
 de diferente, de verdadeiro.
Não me prendo a acomodações confortáveis
 de um divã que surge a cada degrau vencido,
nem olho as laterais
para ver que lugar ocupo
entre tantos no mesmo caminho,
porque minha capacidade é única
e comparável apenas a ela mesma.
Nada mais me falam as lágrimas
pois são tranqüilas.
Nada mais me dizem
quaisquer outros sentimentos
que possam macular
o respeito que tenho para comigo mesma,
como criatura que segue o seu Criador
e acata as verdades que Ele me coloca
no verdadeiro templo onde eu O venero.
 Por isso,
todos os meus dias são sol
e todas as minhas noites são lua.
Estrelas estão aí para contar...
 
SP,21/05/2007
15:10 horas

 

 
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Página editada por Cleide Canton em 10 de julho de 2007

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