CHAMANDO O SOL
Cleide Canton
 
 

Reconheço-te,

senhor de grande força

 a quem reverencio.

Sei do teu compromisso diário

com a natureza,

bem como imagino tua mágoa

ao perceber que o homem,

na sua gana de poder,

coloca empecilhos

que barram o cumprimento

da tua grandiosa missão.

 

Senti, hoje, a tua tristeza.

Procurei-te, debalde!

Nuvens cinzentas, opacas,

espessas e vigorosamente secas,

cobriram a tua majestade.

Uma visão quase moribunda

descortinou-se

do longe ao perto.

 

Movimentos fracos

de passos que pareciam perdidos,

gente tanta que esqueceu o sorriso,

vozes roucas perdidas em burburinhos.

Onde estariam os passarinhos?

 

Alguém tenta driblar a monotonia

e o som de compassos

constantes e nada melodiosos

se ouve, estridente.

Onde estaria a bom gosto?

 

Os mais atrevidos encapotam-se

e ensaiam um passeio matinal.

Os demais encolhem-se no seu casulo

de homem-lida

e, desprovidos de ânimo,

seguem a rotina diária.

Onde estaria o humor, a alegria?

 

Que faço eu, aqui,

num inconformismo

pela falta da tua luz?

Digo que é belo o dia cinzento?

Mentiria.

Como posso visualizar algo mais

se quem busca a beleza

não a encontra nesse triste tom pastel?

Onde estará o meu céu?

Alô, Sol!

Por que não me respondes?

 

SP, 04 de junho de 2008

de uma manhã sem sol.

 
 

 

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Página editada por Cleide Canton em 07 de outubro de 2008

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