CANTO SEM LUA
Cleide Canton


Onde estás, minha amiga e companheira?
Em que vão do infinito tu te escondes
e meus gritos em ecos não respondes
por detrás dessa nuvem passageira?

Onde estás? Faz-me falta a luz prateada!
Faz-me falta um ouvido ao meu clamor
que deixavas todinho ao meu dispor
qualquer fosse o desdém da madrugada.

Debruçaste o teu rosto pra não ver
minhas asas partidas pelo vento,
os meus sonhos jogados, ao relento,
esperando um eterno amanhecer...

Onde estás? Quão perdida fico então
ao sabor deste sal que não tem fim,
ao calor deste sol que mata em mim
a sede que habitou um coração.

Foi-se toda a manhã tão perfumada,
pelas rosas, por cravos, por jasmins...
Foi-se o canto dos poucos serafins
que sumiram também da minha estrada.

Já nem chove nas terras que arejei
e as plantinhas ao longo feneceram.
Os matizes das cores se perderam...
Que será das sementes que plantei?!


São Carlos, 09 de junho de 2013
08:50 horas

 

 

ARTE FINAL CLEIDE CANTON
 

 

 

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Página editada por Cleide Canton em 12 de junho de 2013

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