A MÃO QUE BALANÇA O BERÇO
Cleide Canton
 
 
 
       Andei por estes anos todos embalando o berço errado.
       Andei sonhando como o homem crescendo, com um mundo em harmonia, com plantio e colheitas, com um sentido de fraternidade um tanto diferente do que  pensam os famosos "oitenta por cento".
      Andei sonhando com a reta e esqueci que o meu caminho eu escolho, mas o caminho de um povo é o povo quem escolhe. E meu povo acredita na curva por opção. Desvios sempre existiram, mas como entender essa debandada geral? Como aceitar passivamente essa inversão de verdades, de valores, fincada no ódio entre etnias, classes, indivíduos...
        Todos ( não - só os "oitenta e tanto por cento") aplaudindo as  esmolas, para mim  o mesmo que  lavagem  jogada a porcos,
como se isso fosse justo, sorrindo e incentivando a colocar-se muitos filhos neste mundo (chegará a hora em que as mortes ocorrerão  em  massa)  pela oferta do peixe- bolsa para tudo:
bolsa-família, bolsa-leite, bolsa-gás, bolsa-natalidade, (vem aí o bolsa-celular),  bolsa-escola... (Ué! Não está escrito lá naquele livrinho verde que chamam de Constituição, que é dever do Estado proporcionar ensino gratuito para todos? Agora, pagar para o guri estudar???? O correto não seria motivá-lo, oferecer-lhe oportunidades, levá-los a entender que tudo se torna mais difícil sem os "benditos" canudos? 
     Ah, sim! Mas onde é que vamos buscar a motivação, não é? A escola é vista como chata, exige que o coitado do aluno sacrifique parte de suas diversões, deixe o joguinho de futebol para ficar lendo e ouvindo "bobageiras" que não farão dele um Presidente da República. Afinal, estudar para que?         
Pensando bem, para que mesmo? Tudo está ao alcance de todos bastando apenas um clique. Quando surgir uma questão as respostas estarão sempre disponíveis. Para que gastar o precioso tempo estudando, pesquisando, não é? Melhor mesmo é "curtir" todos os momentos, sem desgastes, sem queimar as pestanas. Vamos todos fazer exatamente aquilo que gostamos: bebida a rodo, baladas todas as noites, sexo por sexo, drogas para fugir de quaisquer problemas (Problemas? Que problemas? Com um vidão desses! ).
     Ao lado de tudo isso, já perceberam o linguajar dos nossos jovens? A palavra "odeio" está sendo usada até para certos alimentos do quais não gostam. Estão odiando tudo... Odeiam a Matemática, a Gramática, a Geografia... Não sabem o que é morfologia! A História nem se fala! Afinal, para que ficar sabendo o que aqueles velhos barbudos e de óculos fizeram ou falaram?! Falando nisso, quem é mesmo o I ou II: O Pedro barbudo e velho ou o jovem cabeludo?       É assim mesmo! Fazer o quê? Temos que acompanhar o "pogresso".
    Baseado no quê vou orientar meus descendentes e dependentes? Que armas deverei usar para combater essa "avalanche" de ervas daninhas que dançam enquanto envenenam, que amordaçam o grito dos cautelosos com o rufar apenas da percussão, assassina da harmonia e da riqueza da verdadeira música e que destronam as virtudes e valores como se fossem eles os verdadeiros gafanhotos da conhecida praga?
     Creio que andei mesmo embalando o berço errado!
     Bendita teimosia que não me permite mudar!
     Bendita fé que ainda me faz acreditar em mudanças!
 
 
SP,25/11/2009
00:35 horas
 
 
 
FORMATAÇÃO SIMONE CZERESNIA

 

 

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Página editada por Cleide Canton em 01 de março de 2010

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