ÁGUAS DE VERÃO
Cleide Canton
 
 
Se ora me deito nessa longa espera
ou se me perco ainda olhando estrelas,
que bom seria quando, ao esquecê-las,
ficasse o brilho neste olhar. Quem dera!
 
Se o vento cala o canto dividido
entre as vacâncias desta calmaria,
eu me pergunto, então, como seria
o trovejar do amor nunca esquecido.
 
Enquanto afago a chaga semi-aberta
secando ao sol, devasso e imprevidente,
 a chuva leva o broto da semente
que sem querer vingou em lua incerta.
 
Lá vai ele no rio que segue ao mar,
temendo ver, após as corredeiras,
o rebentar das livres cachoeiras,
onde o temor maior é naufragar.
 
Na queda brusca o grito, então clemente,
em tom maior quiçá mudasse a morte
e sorriria, entregue à própria sorte,
o amor audaz, prodígio dissidente.

SP, 10/02/2010
 16:00 horas
 

FORMATAÇÃO SIMONE CZERESNIA

 

 

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Página editada por Cleide Canton em 05 de março de 2010

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