A brisa e eu

Cleide Canton

 

Toca-me e acorda-me!

Preciso de ti

como do ar que respiro.

Vem e alimenta minha alma.

Renova minha calma

e lustra a força desta palmeira

que ainda não pode tombar.

 

Vem

e ajuda-me nos vendavais.

Desistirei jamais!

Sabes que necessito

da tua energia,

vital a todos os meus sentidos.

Cuida das minhas feridas

que o tempo, por si só,

não conseguiu cicatrizar.

 

Preciso do teu carinho manso

no meu sorriso disfarçado,

na nova lágrima que corre

pela dor do passado,

no gesto de amor

a alguém mais necessitado,

nas palavras que vivem soltas

nos meus versos,

tão dispersos...

Preciso da tua leveza

para os passos que tranço

na melodia que danço.

 

Vem! Conforta-me!

Sou como o pássaro tímido que chilreia

no ensaio de uma nova canção

que talvez se perca, sem resposta,

naquilo que aposta.

Driblar não é meu forte

e da força física

não tenho suporte.

Busco a precisão

no chute certeiro.

Não sou zagueiro

nem me preocupam defesas.

Viso aumentar o placar

nesta demanda secular.

 

Vem!

Abranda a tempestade

que me obriga a novos rumos,

tanto mais ousados

quanto encantados.

Preciso da magia do sonho

para colorir a festa

do meu novo dia.

 

Preciso urgentemente

que a vida me sorria!

 

 

SP, 20/09/2005

11:40 horas

 
 
 
 
 
 

 

 

 

Página editada por Cleide Canton em 10/10/2005

 

 

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