ABRE OS OLHOS, CRIATURA
Cleide Canton
 

 Parece-me que
que te acostumaste tanto
à dor e ao sofrimento
e eles se encontram
tão enraizados no teu dia-a-dia,
que esqueceste
do menor sorriso de alegria.
És testemunha
de tantos vícios maiores
que não mais te aviltam os menores.
Bloquearam de tal forma
os anseios da tua esperança,
dilataram tanto
as dimensões das pedras
que já estavam no teu caminho
que te perdeste nos próprios valores,
estacionado que estás
nas vielas da nostalgia,
deixando-te levar
pelos ventos cegos da incoerência,
pela falsa calmaria da passividade,
pelos sons ardilosos da vaidade...
Tuas ações morrem
em projetos falidos,
enquanto tuas palavras se encolhem
e teus argumentos se banalizam.
Abre os olhos, criatura,
e retorna aos teus princípios,
onde as soluções eram simples
porque conhecias e aceitavas
a dimensão das tuas capacidades,
o valor dos teus direitos e deveres,
o respeito para contigo mesmo
e para com o teu próximo
e o teu amor era tão intenso
que te bastava por si só.
Retoma as rédeas
do teu caminhar
sem culpas ou preconceitos.
Retira as brasas
do fogo das tuas paixões,
as sombras projetadas
pelas nuvens das tuas desconfianças,
o ranço em que envolveste
a tua bondade,
a tua ternura
e a tua compaixão.
Derrota
os que podaram as tuas asas,
os que vedaram as tuas verdades
e os que ceifaram as tuas crenças,
com o sorriso do perdão,
 com palavras da tua razão.
Abre os olhos, criatura!
Para cada minuto das tuas tentativas
receberás um convite
para que voltes a ser feliz
e para cada minuto da tua passividade
apenas receberás
o sorriso negro da solidão,
a morte de cada sonho possível,
a lágrima,
a mágoa,
a dor...
 
Respostas da vida
que tu desprezaste.
 
 


SP, 07/12/2006
17:40 horas

 

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Página editada por Cleide Canton em 26 de agosto de 2013

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