ABRAÇA-ME
Cleide Canton
 
 
 
Abraça-me!
Encontro-me assim,
meio perdida
na dissonância de uma melodia
que não compus.
Não consigo perceber
um encaixe harmonioso
entre aquilo que espero
 e aquilo que posso.
Tenho-me
como algo sem preço,
cujo valor se perde
ou inflaciona,
eternamente dependente
do julgamento de quem vive
num mundo que não construí,
preso a valores
aos quais não dispenso
a menor significância,
aplaudindo um protótipo de beleza
muito distante do meu modelo...
 
Conheço-me!
Não quero nuvens escuras
no céu que pinto
nem palavras soltas
nas linhas que componho.
Desdenho do odor do lodo
e das marcas cinzentas dos bolores.
Quero sol a dourar os meus propósitos
e estrelas a luzir nas minhas esperanças.
 
Abraça-me!
Preciso saber que não estou só
nesta luta sem tréguas,
nestes apelos incomuns,
nestes sonhos que parecem únicos,
neste jardim onde me canso
de retirar as ervas daninhas...
 
Abraça-me!
Ainda há um horizonte
e, quem sabe,
descanse no ocaso
o mundo que sonhei p'rá mim...
 
SP,12/03/2007
16:40 horas
 

 
 FORMATAÇÃO DE SIMONE CZERESNIA
 
 
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Página editada por Cleide Canton em 14/03/2007

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